Será obesidade ou é lipedema? Entenda sintomas e tratamentos
- Dani Brandão

- 14 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Durante muito tempo, pessoas com lipedema foram erroneamente classificadas como pessoas com obesidade.O diagnóstico e reconhecimento do lipedema como uma condição diferente da obesidade é relativamente recente e vem mudando a forma como vemos essa doença crônica que afeta tantas mulheres.
Neste texto, vou explicar o que é o lipedema, seus sintomas mais comuns, como é feito o diagnóstico e quais são as possibilidades de tratamento.
O que é Lipedema?
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional e nodular de gordura, principalmente nos membros inferiores, mas que também pode afetar quadris e braços. Uma característica marcante é que o tronco costuma permanecer mais fino, o que evidencia a desproporção em relação ao tamanho dos membros.
Ainda não se sabe exatamente o que causa o lipedema, mas acredita-se que haja influência genética e hormonal — principalmente dos hormônios femininos estrogênio e progesterona —, o que explicaria sua maior prevalência em mulheres.
O lipedema é classificado como uma doença inflamatória crônica, que envolve o acúmulo de nódulos dolorosos de gordura e pode estar associado a alterações vasculares.
Quais são os sintomas do lipedema?
Os sintomas podem variar de intensidade, mas em geral incluem:
Acúmulo desproporcional de gordura em pernas, coxas, quadris e braços, de forma nodular
Tronco geralmente mais fino em comparação com os membros
Dor e aumento da sensibilidade ao toque
Sensação de peso e cansaço nas pernas
Inchaço simétrico dos membros inferiores (principalmente no calor) — mãos e pés não são afetados
Surgimento de hematomas com facilidade
Se você se identificou com esses sintomas, saiba que pode ser lipedema. Agende sua consulta e receba uma avaliação individualizada.
Como saber se tenho lipedema?
O diagnóstico do lipedema é clínico, feito a partir do histórico médico, antecedentes familiares e exame físico para avaliar a distribuição da gordura corporal.
É fundamental diferenciar o lipedema de outras condições que podem confundir o diagnóstico, como:
Linfedema
Obesidade
Insuficiência venosa crônica
Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, podem ser solicitados para excluir outras doenças. No entanto, o diagnóstico principal é realizado por um profissional qualificado, com experiência no reconhecimento do lipedema.
Como tratar o lipedema?
Diferente da obesidade, no lipedema a perda de peso não é suficiente para eliminar o acúmulo de gordura nos membros. Mesmo com emagrecimento significativo, a redução das medidas pode ser mínima.
Ainda assim, a obesidade pode agravar os sintomas do lipedema, tornando fundamental o controle do peso. Esse cuidado pode incluir orientação de estilo de vida, acompanhamento nutricional e, em alguns casos, suporte medicamentoso.
Alimentação
Devido ao componente inflamatório do lipedema, a dieta é essencial para controlar os sintomas. Recomenda-se evitar:
Açúcares refinados
Carboidratos processados
Gorduras trans
Alimentos ultraprocessados
Por outro lado, é importante investir em:
Gorduras saudáveis
Carnes magras
Alimentos ricos em fibras
Refeições naturais e pouco industrializadas
Atividade física
Exercícios ajudam a reduzir a dor, o inchaço e melhorar a mobilidade. Atividades de baixo impacto, como natação, pilates e caminhada, são excelentes aliadas no controle dos sintomas.
Terapia de compressão
Uso de meias de compressão, roupas especiais e técnicas como drenagem linfática auxiliam na redução do inchaço e da sensação de peso.
Tratamento cirúrgico
Em casos mais avançados, quando as medidas conservadoras não trazem alívio adequado, pode ser indicada a lipoaspiração específica para lipedema, com objetivo de remover a gordura acumulada e reduzir a dor.
Se o lipedema tem prejudicado sua qualidade de vida, agende sua consulta. O tratamento certo pode trazer alívio e devolver bem-estar.
Mensagem final
O lipedema é uma condição crônica, de causas ainda não totalmente compreendidas, mas que pode trazer grande impacto físico e emocional quando não é diagnosticado e tratado corretamente.
Ainda não existe um tratamento medicamentoso específico capaz de reverter o quadro, mas uma abordagem integrada — que inclui acompanhamento médico, nutrição, atividade física, medidas de compressão e, em alguns casos, cirurgia — pode transformar a vida da paciente.
Se você sofre com essa condição, saiba que não está sozinha. Com informação correta e apoio profissional, é possível controlar os sintomas, evitar a progressão da doença e recuperar qualidade de vida.




Comentários